segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Declaraçao da Coordenaçao de Familiares e Amigos 14·A

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DECLARAÇAO PÚBLICA

Coordenaçao de Familiares e Amigos pela
Liberdade das Presas e Presos do 14 de Agosto

Após viver sob a propia carne a espreita policial e perceber, como familiares e amigos que nossxs filhxs, irmas e companheirxs estao sendo julgadxs de forma caprichosa através dos meios de comunicaçao, é que tomamos a iniciativa de nos organizar para denunciar a perseguiçao política de que sao objeto através de uma suja montagem jornalística e judicial.

E mesmo que injustamente se esteja considerando como um fato a sua culpabilidade e participaçao numa inexistente associaçao ilícita, da qual temos a certeza de que nao somente é algo que sequer existe, mas que é insustentável judicialmente, estamos dispostxs a começar uma batalha por sua liberdade até as últimas conseqüências e é por isso que declaramos a seguir:

1- A figura legal de associaçao ilícita, por si mesma, é inconmensurável com as idéias, as práticas e as lógicas associativas horizontais e livres de hierarquia nas quais os e as companheiras têm se desenvolvido durante sua vida política. A orgânica que Alejandro Peña apresenta em sua acusaçao, com papéis e funçoes, funcionamento e estrutura se contradiz totalmente com as reflexoes que durante anos mantiveram fiscais, porta-vozes e ministros, lembremos das palavras do ex ministro Rossende, afirmaçoes como "sao grupos que carecem de uma estrutura e agem de uma forma muito precária, pelo que é mais difícil os desarticular, identificar, deter e sancionar”(radio cooperativa, maio de 2009) pois acontece que hoje, pela mágica açao de um fiscal inescrupuloso, existe um organigrama, divulgado pela mídia e já conhecido por todos.

2- Vamos nos encarregar de revelar por múltiplos meios cada uma das mentiras e dos interesses políticos que permeiam este caso. Temos a convicçao de que o caráter jornalístico do “caso bombas” é só a ponta do iceberg repressivo, onde nossos irmaos sao meros bodes expiatórios, usadxs para dar exemplo ao resto da populaçao a respeito das conseqüências que pode acarretar desejar a liberdade e demonstrar descontentamento, nesse sentido, sustentamos sem medo que seu encarceramento é uma perseguiçao política, um aniquilamento que reage ao contexto de convulsao e repressao generalizada que se torna cada vez mais insuportável.

3- As provas que atribuem a nossas irmas e irmais detidxs carecem de qualquer qualificaçao jurídica, sao insustentáveis por si só e apenas fazem sentido quando sao meticulosamente unidas a um preparado enfeite discursivo e cinematográfico que as relaçoes entre sí, outorgando-lhes um sentido judicial aparentemente crível; a mente e o conhecimento retórico da fiscalía, em cumplicidade com a mídia, tem dado por sentenciado antecipadamente um julgamento que aínda nao se realiza, onde ninguém parece lembrar disso chamado de presunçao de inocência. Históricamente a manipulaçao informativa tem permitido às periferias percorrer um vaivêm carente de crítica e questionamento, assim, logo de uma semana na que o assunto monopolizou noticiários e capas, inclusive programas jornalísticos, cuja rigorosidade jornalística mediocre ficou em completa evidência, aplica-se ao cercamento informativo ao que estamos dispostxs a transgredir para vociferar de todas as formas possíveis que isto aqui é uma montagem da mídia, e exigimos a liberdade de nossas companheiras e companheiros.

4- A violência que tem utilizado a polícia contra todx aquelx que ouse se opôr ao atual estado das coisas, é inquestionável pela opiniao pública e nós declaramos que esse é o verdadeiro terrorismo. Evidenciamos a excessiva violência, os balins, pancadas, pistolas, helicópteros e todo o arsenal bélico desdobrado nos operativos para capturar axs que possuam um domicílio conhecido e uma vida pública, nenhum/a era foragidx, nem se encontrava armado no momento da detençao, pelo que nao se justifica sob nenhuma circunstância o aparato de guerra amplamente utilizado. O excesso do operativo reage ao espetáculo montado e fetiche fiscal, por isso denunciamos abuso de poder contra xs 14 detidxs que deixou a diligência, as pessoas que habitavam os imóveis e em particular contra um menor de idade que já em seu primeiro ano de vida recebeu toda a violência policial sem contemplaçoes.

Sabemos do custo que tem, nos opressivos tempos que correm, manifestar públicamente nosso acérrimo apoio a nossas irmas e irmaos em prisao, porém, é nossa responsabilidade lutar por sua liberdade e seu bemestar, fazemos um chamado à solidariedade, a se informar e a romper com o isolamento.

Pelo fim da perseguiçao política e a liberdade
de nossos e nossas companheiras e companheiros.
Pela desmistificaçao da uma inexistente associaçao ilícita,
pela multiplicaçao do apoio.


Solidariedade com os Irmaos Mapuche em greve de fome

FIM À LEI ANTITERRORISTA

Coordenaçao de Familiares e Amigos pela LIBERDADE
dos Presos e Presas do 14 de Agosto
Santiago do $hile, 30 de agosto de 2010

http://solidaridadporlxspresxs.blogspot.com porlalibertadalxspresxs@gmail.com